Começou o campeonato mais maluco dos últimos tempos

Jorge Sampaoli

Jorge Sampaoli/Bruno Cantini

Não existe facilidade. Na verdade, existem muitas dificuldades. O Brasileirão 2020, seja qual for a divisão, vai ser muito difícil e repleto de pegadinhas.

Como se não bastasse o tempo sem bola rolando cobrar uma fatura na parte física dos atletas, a ausência de público nos estádios vai convidar os departamentos de futebol dos clubes espalhados pelo país a fazerem engenharias financeiras mirabolantes.

Um campeonato com rodada após rodada, sem meio de semana para respirar um pouco, minimiza a chance de qualquer treinador corrigir os erros do jogo anterior. Se muito, as comissões técnicas tentam uma ou outra adaptação para encarar o próximo adversário.

Para piorar a situação e deixar tudo mais imprevisível ainda, a janela de negociações tende a ter um movimento de saída bem superior ao de entrada. Os clubes de fora já sabem que os clubes brasileiros estão desesperados por uma ou outra venda e vão precisar ter elencos maiores também. Somos presas fáceis.

Lembra daquele calor excludente do verão brasileiro? Sabe aquele janeirão que até temos miragem vendo mar na Lagoa da Pampulha? Janeiro e fevereiro, os meses de temperaturas capazes de fritar ovo em qualquer rua ou avenida, serão os meses de definição do campeonato.

Você percebeu que nem citei ainda a necessidade de escalar o time assim que sair o resultado do teste do laboratório para saber se aquele atacante foi ou não contaminado.

Sabendo de tudo isso e de mais um pouco que não fui capaz de elencar por aqui, é muito importante iniciar bem a competição, coisa que Atlético e Cruzeiro conseguiram.

Cada um ao seu modo e com suas emoções e dificuldades diferentes, eles conseguiram conquistar a confiança necessária para os primeiros passos. Já falei que a caminhada é longa? Claro que é, mas tende a ser mais difícil para quem demorar a dar a arrancada.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Categorias:
Futebol Nacional