Olhar tático | Allan: um primeiro volante diferente

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Por Pedro Bueno

Em um time como o Atlético que teve Leandro Donizete e Pierre como dupla de volantes na conquista da Libertadores, ter Allan como primeiro jogador à frente da zaga é uma grande mudança que os torcedores podem estranhar. Mas calma, o garoto tem talento e, como demonstrado nos últimos jogos, é um exímio passador.

O volante de 23 anos foi contratado pelo Atlético no início da temporada por 3 milhões de euros juntamente ao Liverpool e viveu um momento de estabilidade na equipe. Enquanto treinado por Dudamel, Allan era escalado como segundo homem do meio campo ou até como um jogador de criação, mais próximo do atacante. Dudamel estava equivocado. Nessas posições Allan não rende o esperado e tanto que a torcida o cobrava por boas atuações.

Após a chegada de Jorge Sampaoli, Allan foi remanejado a sua posição ideal e as boas atuações aconteceram. Ele é um primeiro volante que dá ritmo ao jogo, ou seja, ele tem como função fazer a saída de bola e ligar o ataque com lançamentos ou inversões rápidas. 

No esquema usado por Sampaoli, o volante é essencial. Ele fica bem centralizado, recebendo a bola dos zagueiros e ligando nos meias, nos laterais ou até mesmo nos pontas. O talento de Allan pode ser percebido de várias maneiras, mas como ele não participa com assistências e gols, os torcedores podem não enxergar a sua importância.

Por exemplo, o primeiro gol frente o Patrocinense saiu do pé de Allan. Ele está no meio e recebe da direita de Savarino. A marcação está toda focado no lado direito. Ao receber no centro, Allan inverte rapidamente para Keno que está bem aberto, como sempre ficam os pontas de Sampaoli, dando maior amplitude, ou seja, fazendo com que a defesa adversária se abra. 

Ao virar a bola com velocidade, Allan faz com que a defesa adversária vá marcar Keno com urgência. Com isso, a zaga se movimenta e não consegue se estruturar corretamente. Nesses momentos que os espaços aparecem. Keno cruza da esquerda e Nathan, que estava no meio, entra livre e cabeceia para o gol. 

É apenas um exemplo da importância do Allan. Um jogador que acelera o jogo. Ele não deve avançar muito e, consequentemente, não participará em números de assistência e gols, mas a importância dele na dinâmica do jogo é enorme. O habitat de Allan é o círculo central, tentando sempre estar à frente dos zagueiros e rodando a bola.

Outro fator que chama a atenção em Allan é a sua liderança. O jovem fez apenas 15 jogos pelo Atlético, mas comanda os outros jogadores, dando dicas para onde tocar ou onde passar, sempre indicando o melhor caminho. Ele é um jogador inteligente. A visão de jogo dele é utilizada com e sem a bola.  

O jogador de 23 anos encanta pelo seu talento desde jovem. Aos 18 anos foi contratado pelo Liverpool, na tentativa de captar uma joia brasileira. Mas Allan, mesmo chamando a atenção do treinador Klopp em alguns treinos de início de temporada, não conseguiu visto para jogar na Inglaterra e foi emprestado para diversos times. A instabilidade, problemas pessoais e adaptação a diferentes formas de jogar futebol foram fatores que fizeram com que Allan não emplacasse seu futebol na Europa e, como consequência, não conseguiu o visto para jogar pelo Liverpool. 

No ano passado, emprestado no Fluminense, Allan conseguiu apresentar o seu futebol de verdade. O volante fez 28 jogos no Brasileirão e deu apenas 1 assistência. No entanto foi um dos destaques do time pela sua habilidade nos passes e vitalidade, sendo procurado pelo Atlético, São Paulo e o próprio Fluminense. Na batalha, Atlético conseguiu negociar com o Liverpool e assinou em definitivo com o jovem jogador até 2023. 

Essencial para o jogo de Sampaoli, decisivo com lançamentos e marcando bem: Allan tem potencial para se tornar um “queridinho” da torcida do Atlético. Um primeiro volante moderno. Olho nele!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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