Dentro e fora do gramado, a vida de Leon Mckenzie

Norwich Evening News

Leon Mckenzie/Norwich Evening News

Os dias continuam sombrios e muitas famílias tentam se reerguer. Aqui, no meu espaço, tenho procurado trazer histórias diferentes e personagens interessantes para estimular a pesquisa, despertar o interesse e tornar um pouco mais leve o dia de alguém.

Leon Mckenzie tinha uma esquerda bem técnica e uma direita forte e cheia de disposição. Ele driblava bem com a esquerda, desferia uppercut com a direita, fazia gols de cabeça e deixou vários adversários nas cordas ou na lona.

Leon Mckenzie marca contra o Manchester United
Leon Mckenzie marca contra o Manchester United. Foto: Facebook Norwich FC

A goleada imposta pelo Arsenal, 4 x 1, na rodada anterior, só fez complicar a vida do Norwich na Premier League 2004/05. O técnico Nigel Worthington sabia que o próximo adversário não estava nos seus melhores dias. O Chelsea pintava como grande campeão e o United não poderia se colocar fora da disputa mesmo com muitos jogos pela frente.

Bola rolando. O primeiro tempo foi marcado pela saída antecipada de campo de Luis Zaha. Cristiano Ronaldo entrou em seu lugar. O time de Alex Ferguson tinha Howard, Ferdinand, Heinze, Silvestre, Kleberson, Scholes, Gary e Phil Neville, além de Cristiano Ronaldo, Rooney e Nistelrooy, que entraram no decorrer da partida.

Ashton marcou primeiro, aos 10 do segundo tempo, e Mckenzie, aos 21 minutos e fechou o placar, após jogada de contra-ataque. Enfim, o Norwich poderia tentar respirar. Bater o Manchester United não era para qualquer um. Após a partida, Alex Ferguson, histórico treinador do Manchester, nem apareceu para a entrevista coletiva. Leon Mckenzie foi o nome do jogo.

Os registros da Premier League mostram que Mckenzie jogou 37 partidas pelo Norwich na primeira divisão e outras três pelo Crystal Palace, seu time de origem. Foram sete gols e quatro assistências. Ele, Ashton e o jamaicano Damien Francis foram os artilheiros do Norwich na temporada 2004-05. Nada disso foi suficiente para manter os canários na elite.

Leon Mckenzie não teve vida longa na principal competição de futebol da Inglaterra, mas construiu longa carreira em outros clubes e tem a importante marca de ter feito gols em todas as divisões que jogou.

O tempo foi passando. Mckenzie já via distante um possível retorno ao topo. No Charlton, em 2010, tentando se recuperar de contusões e lutando contra problemas físicos, Mckenzie percebeu que a carreira de 15 anos no futebol profissional parecia estar no fim. O atacante que tanto lutou na área parecia não ter mais forças para viver e quase perdeu a batalha.

No período fora dos gramados. Leon Mckenzie travou um sério duelo contra a depressão e se envolveu em confusões. Uma delas, a mais complicada, levou Leon a ser preso por seis meses por tentar burlar a justiça com falsos depoimentos em alguns episódios de excessos de velocidade. Não foram poucas as vezes em que ele se viu ao lado de assassinos e todos queriam saber como foi a sensação de ter marcado gols contra o Manchester United, Everton ou Manchester City.

Ao The Guardian, Leon Mckenzie fala sobre a carreira, depressão e a nova oportunidade que o esporte ofereceu.

Um ano após encerrar a carreira, ele voltou aos gramados para encerrar de vez jogando pelo Corby, em 2013.

Saía de cena o atacante e entrava em campo o boxeador. Leon Mckenzie é filho do campeão europeu Clinton Mckenzie e sobrinho do campeão mundial Duke Mckenzie. Corria nas veias.

Seis meses após pendurar as chuteiras, às luvas. Foram mais quatro anos de carreira no esporte. Um título! Atualmente, Leon Mckenzie viaja pelo país dando palestras, falando de quedas, gols, contusões, sonhos, pesadelos e da possibilidade de ser melhor que o esporte e a vida oferecem.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.