Galo entre a cruz e a espada

Sede do Atlético

Bruno Cantini/Atlético

O torcedor do Atlético, mesmo antes da pandemia, buscava acreditar em tudo. É um exercício de fé. De fé em fé e de frustração em frustração.

A primeira crença da temporada era que os investimentos seriam baixos e a austeridade financeira seria o lema. O início do ano foi marcado pelo anúncio e chegada de Dudamel. Um técnico com exacerbadas características de comando poderia fazer os jogadores correrem mais e o time poderia ser operário em campo. Seria a materialização do grito de raça em campo.

Só que a bola não entrava. O time não rendia, pouco competia e conseguiu alcançar duas eliminações em competições que poderiam trazer algum alívio financeiro na temporada. Dudamel se foi e com ele a austeridade financeira.

Louco para acreditar em tudo, o atleticano enlouqueceu quando viu o acordo com Jorge Sampaoli. O treinador argentino, desejado por muitos clubes no Brasil, já havia declinado uma vez e acabou aceitando o que parecia ser um ousado projeto do Galo para a temporada. Austeridade e ousadia não rimam, mas lá vai o torcedor para uma nova crença, que foi reforçada com a chegada de Alexandre Mattos.

O diretor que foi vencedor por onde passou e sempre mostrou habilidade para negociar nem teve tempo para mostrar a que veio e deu de cara com o cenário de paralisações por causa do coronavírus.

As notícias eram de que Sampaoli pediu contratações. O presidente fez questão de falar que algumas vendas já realizadas davam a sinalização necessária para avançar o projeto. Seria então o ano da colheita?

É claro que o caixa de qualquer clube do mundo sofre sem renda. Qualquer um. Sem bilheteria, sem dinheiro da televisão, sem exposição de marcas, sem ativação das parcerias, sem jogos para possivelmente vender jogadores. É claro que seria difícil e é está sendo difícil. No entanto, me parece mais difícil ainda deixar claro que não existe dinheiro para pagar os salários e pagar uma dívida urgente na FIFA. Piora muito o clima e a percepção do que se vive lá dentro.

Ou os salários ou os pontos? Claro que o torcedor já decidiu pelos pontos, mas como o mercado e como os funcionários do clube estão vendo o dilema? Será que um clube interessado em um jogador do Atlético vai manter uma proposta anterior ou vai reduzir bastante a possível oferta? Pense você que já falou para todos os vizinhos que está precisando urgentemente de dinheiro. Será que seus vizinhos vão comprar o seu carro pelo preço justo ou pelo preço que seu desespero aceita?

Até mesmo Sampaoli, que teve diversos problemas com a direção santista na temporada passada, como ele está vendo tudo isso? Já pensou se ele entra o Brasileiro com pontuação negativa na tabela de classificação e ainda tem um Flamengo no Maracanã logo de cara?

O torcedor, que ama o clube e precisa se apegar em qualquer bom fato novo, só espera que o coração já machucado não tenha mais desilusões. Segue a aflição, segue a paixão.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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