Coronavírus chama o futebol para o divã

AFP/Adrian Dennis

AFP/Adrian Dennis

O momento que vivemos nos obriga a pensar mais. Se não nos obriga a pensar sobre nossas vidas, ao menos nos obriga a pensar. Todo dia aparece uma lista nova. Cite três gols mais marcantes, jogadores, livros, cervejas, estádios, cidades. Querendo ou não, estamos nós pensando, buscando recordações.

Não dá para cravar qual será o cenário quando pudermos de novo sair para a nossa rotina. Nossos empregos serão os mesmos ou vamos trabalhar mais de casa?

O mundo da bola também tem sido convidado a pensar e os prejuízos talvez obriguem o futebol a colocar os pés no chão. Alguns estudos já mostram que a Premier League pode perder até 1 bilhão de libras, caso não consiga terminar a atual edição.

Mark Bullingham, executivo da FA (Football Association – entidade que controla o futebol na Inglaterra), disse esperar um prejuízo de até 150 milhões de libras por causa do adiamento de jogos da seleção da Inglaterra, da Copa da Inglaterra e de outros eventos normalmente realizados em Wembley.

No Brasil, a CBF demorou, mas colocou a mão no bolso. É bem verdade que para uma entidade que fatura o que fatura, liberar um pouco menos de 20 milhões de reais para os clubes das séries C, D e para o futebol feminino não chega a ser tão elogioso assim, mas pelo menos agiu.

Voltando a discussão para os ingleses, lá já foi levantada a questão de não sobrevivência de muitos clubes menores. O mundo vai mudar e o futebol vai mudar. Talvez as distâncias entre os clubes ricos e pobres até aumente, mas até mesmo as federações vão sofrer. Talvez tenhamos valores mais próximos da realidade. Talvez.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.