Sampaoli e o fator Andreata – por Raphael Prates

Divulgação Atlético

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Jorge Sampaoli deverá cair nas graças da torcida do Atlético rapidamente. Inteligente, exigente, sabe falar o que o torcedor gosta de ouvir e se tiver boa assimilação do elenco, a tendência é de um time com muitas variações, velocidade e até um 2-3-5 para sufocar e atacar adversários como se não houvesse amanhã. Tudo treinado à exaustão.

Mas como em muitas situações, sempre há um MAS que fala menos ao torcedor e mais a quem apura, noticia ou informa e ajuda a entender o nosso modus operandi. Sampaoli tem uma equipe e um fator, no mínimo, curioso. Um dos membros do seu time é alguém que tem função administrativa superior à sua: o gerente de futebol.

Gabriel Andreata trabalhou com Sampaoli no começo do século no Peru e reapareceu no Brasil. Foi contratado (assim como agora) como gerente do clube mas trabalha diretamente como gerente e pessoa de confiança do próprio treinador.

O Santos acusou Andreata de negociar em nome de Sampaoli com outros clubes como Racing e Palmeiras enquanto trabalhava na antiga equipe. O gerente negou.

O técnico que escolhe seu gerente é um bom exemplo de como funciona o futebol brasileiro. Se houver resultado (e provavelmente terá), pode (quase) tudo. Com alguma idolatria, mais ainda.

Mas seria impensável, em outros continentes ou com dirigentes minimamente profissionais, um técnico que condicionasse sua contratação à chegada de um gerente que torna-se do clube no papel mas é seu na prática.

  • Raphael Prates assina a coluna durante as férias de Mário Marra

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.