E quem demite o presidente?

Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press

Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press

“A culpa é minha e eu a coloco em quem quiser”.

A frase é de Homer Simpson, mas podia ser de Sérgio Sette Câmara.

O personagem do desenho, ao menos, faz alguém rir.

O presidente atleticano viu na noite de quarta-feira o ponto mais baixo de sua gestão fracassada e decidiu afastar os responsáveis pela gestão do futebol e a comissão técnica que contratou há menos de dois meses.

Menos de uma semana atrás, Sette Câmara respondia de forma desafiadora a quem questionava o futuro de Rafael Dudamel à frente do Galo. Falando em trabalho de médio prazo e confiança no profissional, como se houvesse razões para acreditar nisso com base em suas decisões desde que assumiu o clube.

Não que Dudamel não devesse ser responsabilizado. Suas escolhas antes e durante as partidas foram, na maioria das vezes, questionáveis.

Mas ele é uma peça menor do quebra-cabeças atleticano. A única peça em comum nos últimos anos é Sette Câmara.

Dinheiro rasgado com contratações como Ramón Martínez e Lucas Hernández, ou mesmo o salário de Maicon Bolt, foram tomadas por profissionais chancelados pelo presidente, em meio a uma falsa promessa de austeridade.

São os mesmos profissionais que agora têm suas cabeças cortadas como se o mandatário do clube nada tivesse a ver com isso.

O Atlético se tornou o feudo de um único grupo político, onde a capacidade de reconhecer falhas raramente aparece.

Sérgio Sette Câmara deveria reconhecer sua incapacidade de gerir um clube de futebol e renunciar, ou no mínimo convocar antecipadamente novas eleições. Fazendo isso, talvez alguém ainda possa identificá-lo como alguém que um dia se preocupou com o bem do clube.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Futebol Nacional

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