Atacante Marega é mais uma vítima de nós mesmos

AFP/ Miguel Riopa

AFP/ Miguel Riopa

Não, não somos todos Marega. Ou, como dita a moda, #somostodosmarega. Marega é o Marega. E ele foi uma vítima de insultos racistas na partida entre o seu time, o Porto, contra o Vitória de Guimarães.

Marega via o seu time empatar até que recebeu a bola na entrada da área, percebeu a saída goleiro para colocar por cima e desempatar a partida. Gol do Marega!

O que se viu após o gol foi uma demonstração clara de como podemos ser nocivos, nojentos e de como estamos falidos. Não é que Marega devesse ser aplaudido pelos torcedores adversários, mas é deplorável que, sob a fajuta desculpa de que é preciso desestabilizar o adversário, seja permitido romper qualquer barreira. E as barreiras foram rompidas. A educação, a humanidade e o respeito também foram quebrados.

Marega decidiu que não ouviria mais as ofensas que estava ouvindo e tentou partir do campo. Conseguiu, mas seus colegas de clube tentaram impedir, dialogar com Marega. Perderam todos uma imensa chance de abandonarem juntos o gramado. Todos deveriam ter ido. Se a penalização fosse de perda de pontos ou se até mesmo um afastamento maior estivesse previsto, tudo teria valido a pena.

Hoje estaríamos todos falando que o Futebol Clube do Porto resolveu dar um basta e tomou uma atitude totalmente diferente do padrão. No entanto, só Marega saiu de campo.

Aqui escreve um branco. Alguém que não tem a menor possibilidade de saber o tamanho da dor e da revolta do atacante do Porto. Nunca sofri qualquer tipo de discriminação. Nunca fiquei com o gosto amargo que Marega ficou. Que Marega e outros tantos não sejam vistos com olhos discriminatórios e que o futebol dê um passo à frente não mais no campo das ideias, mas das ações.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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