VAR: por que o “desafio” não é uma boa ideia?

Reprodução Twitter

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A federação italiana (FIGC) confirmou nesta semana ter se colocado à disposição da Fifa para testar uma ideia que mexeria de maneira crucial na arbitragem com auxílio do VAR: os desafios às decisões.

Como já existe em outros esportes, os times poderiam questionar marcações de campo e solicitar que o árbitro fosse ao monitor para tomar uma decisão definitiva.

No modelo atual, a iniciativa de sugerir uma revisão cabe ao árbitro de vídeo, sempre dentro das situações previstas no protocolo: gols, pênaltis, cartões vermelhos diretos e erros de identificação. O mesmo protocolo determina que a intervenção do VAR se dê apenas quando ele constatar que houve um erro claro e evidente na decisão inicial. Naturalmente, não há essa margem em lances objetivos, como impedimento, que são matemáticos.

É justamente o critério para ir ou não ao monitor que é questionado pelos defensores do desafio. Como não tem as imagens à disposição em tempo real, nem sempre o árbitro dentro do gramado saberá se a interpretação do colega na cabine estaria de acordo com a sua, com acesso a todos os ângulos possíveis, por mais que estejam em contato constante.

Ainda assim, o conceito do desafio neste caso pode trazer mais problemas do que soluções. Enquanto no tênis e no vôlei ele se dá em situações objetivas, como uma bola dentro ou fora, no futebol nem sempre haverá um certo ou errado.

Assim, nem sempre se desafiaria uma situação incorreta, talvez apenas polêmica, e possivelmente com o objetivo de ganhar tempo ou pressionar o árbitro. Mesmo que houvesse um limite racional de intervenções, como uma por tempo para cada time, estaríamos falando em potenciais quatro interrupções.

Há melhores maneiras que o desafio para aumentar a eficiência do VAR, como mudar o texto da regra para aumentar a capacidade do VAR de chamar o árbitro ao monitor. Retirando-se o “claro e evidente” para “duvidoso” ou algo que dê a entender que o VAR entende que o árbitro deveria ver o lance para formar sua própria opinião.

O conceito de “claro e evidente” tem sido, em muitos casos, um convite à omissão do VAR. Fazer um teste com um protocolo mais abrangente seria mais interessante que o desafio.

Se os eventuais testes provarem o contrário, ótimo. Mas eles só acontecerão se a International Board, que se reúne no fim deste mês, entender que são uma boa ideia.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.