Galo leva pancada e precisa ouvir o que o jogo disse

Bruno Cantini/Atlético

Bruno Cantini/Atlético

Não é que foi ruim, foi muito ruim a abertura da Sul-Americana para o Galo. Talvez o placar tenha sido até baixo, mas é preciso tentar decifrar os diferentes contextos para tentar entender o que houve e o que pode vir pela frente.

Dá para começar a compor o cenário com um retorno ao dia 06 de julho de 2017, quando Leonardo Madelón assumiu a equipe de Santa Fe. Ou talvez para dezembro de 2013. Sim, Madelón dirigiu o Unión por quase três anos (de dezembro de 2013 até novembro de 2016) antes de passar pelo Belgrano para depois voltar ao clube que bateu o Galo ontem.

O tempo de trabalho, de conhecimento da cultura local, de características de jogadores e de venda de ideias para o grupo dele não pode entrar como base de comparação para os trinta de poucos dias de Dudamel, que não conhecia o Atlético, o futebol brasileiro e não trabalhava como técnico de clube. Não dá para comparar.

Para piorar um pouco mais o cenário, Dudamel tinha colocado o seu time para jogar apenas quatro vezes no ano e mesmo assim com nível de competitividade bem diferente. Madelón tem apenas mais cinco jogos para o fim da Superliga Argentina. O ritmo de jogo, a intensidade e o nível físico também são incomparáveis.

É claro que na hora de fazer a bola rolar Dudamel deveria ter tentado diminuir as diferenças, mas o gol tomado logo cedo acabou desencadeando uma série de processos que o grupo de jogadores não conseguiu e não tem ainda bagagem tática para contornar. Caos.

Apesar de fazer questão de deixar claro que o treinador é o menor culpado de tudo o que foi visto na noite de ontem, é também evidente que algumas de suas escolhas poderiam ser diferentes. Réver não vem bem, Marquinhos e Hyoran não se movimentaram muito e Di Santo ou Ricardo Oliveira não têm conseguido jogar bem há um bom tempo.

A derrota e provável eliminação podem custar caro para o clube, mas escancaram que o elenco tem limitações graves e o tempo de trabalho é ainda muito curto.

Klopp, técnico experiente e campeão no Borussia Dortmund, chegou ao Liverpool em outubro de 2015 e dois meses depois estava ele catando os caquinhos emocionais de seus jogadores após o Watford fazer um tranquilo 3 a 0 em casa. Era muito pouco tempo de trabalho, mas serviu para ele exigir reforços e qualificar mais o seu grupo de jogadores.

Dudamel não é Klopp e o Galo não é o Liverpool, mas é preciso ter paciência com quem acabou de chegar e é importante melhorar o elenco. Para já.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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