A covardia da crítica xenófoba a Dudamel

Atlético / Twitter

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“Não sou preconceituoso, mas…”

Já ouviu essa frase ou suas variantes em algum lugar, certo? Nada de bom costuma sair depois destas palavras.

Você pode achar que Rafael Dudamel não deve dar pitacos na maneira de jogar de seus adversários menos qualificados no Estadual.

Posso contar um segredo? Eu também acho.

Você pode achar que Dudamel não deveria colocar foco excessivo na arbitragem.

A arbitragem errou no domingo e, sem o VAR que provavelmente corrigiria estes equívocos, acabou interferindo no resultado.

Mas vamos concordar que daria para ganhar mesmo assim, mesmo poupando jogadores, mesmo reconhecendo os méritos do Tombense.

Você pode até achar que Dudamel não é uma boa escolha para o Atlético porque é um técnico com pouca experiência em clubes deste nível.

Eu acredito que sua experiência com a seleção da Venezuela, tanto na base quanto na principal, tenha apresentado boas credenciais para que ele tivesse essa chance.

Você só não pode, de forma alguma, jogar a carta da nacionalidade para qualificá-lo ou desqualificá-lo.

É chocante que ainda se olhe o passaporte de alguém para avaliar o trabalho, para determinar o que um profissional pode ou não fazer ou dizer.

É desrespeitoso com quem cruza uma fronteira para buscar sucesso profissional, trabalha honestamente e deve receber críticas e elogios sob os mesmos critérios usados para seus colegas de outros times. Nem mais, nem menos.

Dudamel não chegou ao Atlético por entender de basquete ou de beisebol. Chegou porque conhece futebol.

Se vai dar certo ou não, ainda veremos. Mas não terá sido a nacionalidade o fator determinante.

Que fique claro: não existe “mas” para a xenofobia.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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