Guardiola, Valverde e como só a vitória não basta

Pep Guardiola / Twitter

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A informação de que Pep Guardiola chegou a 300 vitórias em 390 partidas de primeira divisão na carreira deveria ser motivo para exaltar sua rica história no futebol. Ainda assim, no universo das redes sociais, há quem não veja nada especial neste número.

“Só trabalhou em time favorito”, “gastando dinheiro é fácil” e outras barbaridades são ditas para desmerecer os números do treinador, como se fosse simples encontrar rendimento semelhante em outros profissionais que tiveram as mesmas oportunidades.

Há até quem chegue a chamar de “fracasso” o fato de Guardiola não ter vencido outros títulos de Champions League depois dos dois que ganhou com o Barcelona, como se fosse possível atribuir algum tipo de obrigação de vitória numa competição que tem vários times capazes de levantar o troféu e é imprevisível como qualquer torneio eliminatório.

Prova disso é que nenhum técnico até hoje ganhou mais que três vezes. E Guardiola acaba de terminar a primeira década de sua carreira, ou seja, terá muitas outras oportunidades de repetir a conquista.

Os detratores tratam as vitórias com o Bayern como protocolares, como se até hoje os dirigentes e torcedores do time alemão não tratassem com saudades o período em que viam a cada semana um futebol que nunca mais se repetiu por lá.

Atribuem as conquistas com o Manchester City ao dinheiro do clube, como se outros rivais da mesma liga também não tivessem capacidade para investir em seus elencos, e como se fosse pouco alcançar as duas maiores campanhas da história – 100 pontos numa temporada, 98 na outra.

Subiu o sarrafo e tirou o melhor de seus adversários, como acontece agora com o Liverpool de Jürgen Klopp, outro gênio que provavelmente superará essas marcas.

Curiosamente, muitos destes diziam, depois da primeira temporada de Pep na Inglaterra, que tinha se provado impossível vencer na Premier League com o estilo de jogo que havia funcionado em outras ligas.

E não se trata apenas de vencer.

No Barcelona, Ernesto Valverde conquistou os dois campeonatos que disputou e liderava o terceiro. Mas nunca foi capaz de ganhar os corações da torcida.

Não é só por ter perdido com duas viradas incríveis as Champions.

É, principalmente, por não ter conseguido estabelecer um jogo que conectasse o time ao público do Camp Nou. Um público que exige mais que vitórias: quer se ver representado em seus ideais, quer ganhar e desfrutar.

Como desfrutava ao ver um dos maiores times de todos os tempos, construído por Pep Guardiola.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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