Por um ambiente melhor no futebol

Reprodução Twitter

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Uma vez, já há bastante tempo, entendi que perder fazia parte do jogo. Parecia óbvio. Se existe um vencedor, acredita-se que o vencedor ganhou de alguém. É assim desde sempre. A questão não está em perder ou vencer, mas em como assimilar derrotas e quais métodos foram usados para a vitória.

O tempo permite a assimilação e até mesmo a compreensão do que é jogo. O erro de ontem deve ser evitado e as virtudes devem ser aprimoradas. Os fatores externos acabam entrando em campo também. É normal uma intimidação ou outra. É aceitável uma segurada na velocidade do adversário. Está no contexto.

O que está no contexto dos inescrupulosos precisa deixar de estar. Aí vale uma ajuda do dicionário. Inescrupuloso é “que não possui escrúpulo(s); que demonstra desonestidade; desonrado” ou ” pessoa que não tem um princípio moral. Aquele que não faz uso de um limite moral para um intento, que não age com ética, com honestidade”. É inadmissível que o futebol conviva com o racismo até hoje. Uma desculpa dos desprovidos de um limite moral é de que os insultos servem para tirar o jogador adversário do eixo, que se ganha também tirando o jogador rival de sua concentração normal de jogo, mas o futebol precisa colocar mão forte nisso.

Balotelli marcou o primeiro gol do ano na Serie A, mas virou notícia por ter sido novamente vítima de racismo. O tempo vai passando e casos e mais casos são relatados por todo o mundo. No Brasil, Inglaterra, Itália e por aí vai. De nada adianta a FIFA, Conmebol ou UEFA levantarem cartazes, faixas ou até investirem em publicidade se tudo isso não seguir acompanhado de punição.

Se é que existe um lado positivo, e é um bom exercício para tudo na vida tentar um olhar diferente, a mobilização para cobrança de punição e de atitudes menos regurgitáveis cresce a cada dia. Como é bonito ver o trabalho feito pelo Observatório da Discriminação Racial no Futebol! Como é legal ver a mobilização e a solidariedade de tanta gente do meio. Não é possível que isso não sensibilize alguém e acabe evitando o surgimento de novos idiotas.

A Universidade de Stanford e o Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, publicaram estudos indicando que o número de crimes de ódio aos muçulmanos – até certo ponto comuns na internet – caiu muito na Inglaterra após o sucesso de Salah no Liverpool.

Por incrível que pareça, todas as vezes que se toca no assunto as críticas são fortes. As pessoas catam as pedras mais próximas e arremessam sem dó e acabam mostrando muito do que têm por dentro, mas o papel do jornalista, que aceito bem, também é o de tocar em feridas da nossa sociedade. O ano do futebol profissional no Brasil está começando e o objetivo é a erradicação de qualquer tipo de atitude racista, homofóbica e misógina. Que a bola ganhe jogos e que o ambiente seja mais acolhedor.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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