Um pouco sobre Dudamel

AFP / BENJAMIN CREMEL

AFP / BENJAMIN CREMEL

O Atlético ainda não anunciou o nome de seu treinador para a próxima temporada. É claro que é salutar ouvir a opinião do futuro técnico a respeito de reforços, montagem de elenco, aproveitamento da base e ideia de jogo. Ainda dá tempo, mas o mercado tende a ficar mais competitivo e quente nos próximos dias e o Galo precisa diminuir o número de contratações erradas para 2020.

Enquanto um nome não foi apresentado, vários já foram jogados aos leões das redes sociais e quase todos foram, são ou serão devorados sem terem a chance de mostrar suas virtudes e defeitos.

O nome da vez é o de Dudamel. Goleiro, e dos bons, da seleção da Venezuela e finalista da Libertadores de 1999. A experiência como treinador é de perto de dez anos, entre o Estudiantes de Mérida, a base da seleção de seu país e a seleção principal.

É inegável o que Dudamel conseguiu dar sequência ao trabalho elogiável de César Farias. Na base, Dudamel finalista da Copa do Mundo 2017 – o que não é pouca coisa.

À frente da seleção principal, o treinador não conseguiu realizar o sonho de ser sua seleção em uma Copa do Mundo, mas os resultados têm aparecido.

Se a observação for sobre os resultados obtidos em campo pela seleção, Dudamel tem retrospecto recente bastante interessante nos últimos dedz jogos:

Japão 1 x 4 Venezuela

Venezuela 2 x 0 Trinidat e Tobago

Venezuela 4 x 1 Bolívia

Colômbia 0 x 0 Venezuela

Venezuela 0 x 2 Argentina

Bolívia 1 x 3 Venezuela

Brasil 0 x 0 Venezuela

Venezuela 0 x 0 Peru

Estados Unidos 0 x 3 Venezuela

México 3 x 1 Venezuela

Vale a pena observar os contextos. Dudamel dirigiu uma seleção candidata a quase nada e conseguiu cinco vitórias nos últimos dez jogos. É incrível pensar que a Venezuela hoje ocupa o 25.º posto no ranking da FIFA.

Saindo dos números e indo para o campo, a preferência do treinador foi pelo esquema 4-1-4-1 nos últimos dez jogos – foram sete jogos assim, dois em um 4-2-3-1 e uma vez num 4-3-3.

Se a ideia do Galo é jogar ofensivamente, é preciso destacar que Dudamel mais vezes foi reativo nos últimos dez jogos à frente de sua seleção. O grande problema, no meu modo de ver as coisas, é que não dá para ver o trabalho à frente da seleção e comparar com o trabalho exigido no Atlético.

Se ele for mesmo o escolhido, é preciso ter paciência – algo muito raro no clube. Ele mesmo deve ter observado que o padrão atleticano é de demitir técnicos com muita velocidade e talvez até isso atrapalhe qualquer negociação. Sair do certo para o absolutamente incerto e perigoso é uma aposta também para o treinador.

A direção deve estar totalmente convicta e pronta para uma tempestade de críticas seja qual for o nome do treinador. Afinal de contas, o tribunal das redes sociais absolveria apenas Klopp ou Guardiola. Talvez.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Futebol Nacional

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