Fla ganha no físico e no talento, mas a final exige mais

Fifa / Twitter

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Certos cenários apresentados nos tão raros duelos intercontinentais entre clubes são didáticos. Derrubam a ideia preguiçosa de que só existe futebol competitivo em dois continentes – uma ideia, aliás, que devia ter caído há algum tempo, dadas as múltiplas evidências.

O Flamengo poderia ter saído de campo no primeiro tempo com uma desvantagem maior que o 1 a 0 imposto pelo Al-Hilal. O time saudita apresentou uma versão superior ao que mostrava na reta final da Champions League asiática, até por ter a condição de escalar sem limitações seus estrangeiros.

Os comandados de Razvan Lucescu ganhavam mais duelos e conseguiam aplicar velocidade sobre o lado esquerdo da defesa do Flamengo, que já se mostrou problemático em outros momentos da temporada. Por ali saiu o gol, semelhante ao da final da Libertadores contra o River Plate.

Considerando que provavelmente o Liverpool será o adversário na final de sábado, dar um tempo ao adversário como o Flamengo deu hoje pode significar um resultado constrangedor.

O segundo tempo apresentou algo que ao menos pudesse lembrar – ainda que de longe – o melhor Flamengo que conhecemos. O gol de empate, marcado por Arrascaeta, saiu de uma combinação inúmeras vezes apresentada nos gramados brasileiros. Deslocamentos, passes rápidos e o finalizador com o gol aberto.

Depois disso, a inspirada troca de Diego por Gerson e a habitual capacidade de decisão de Bruno Henrique levaram o placar ao 3 a 1 definitivo. Foi uma reviravolta baseada menos nas virtudes coletivas e mais na capacidade individual, algo que este time tem de sobra.

Registre-se, também, o preparo físico do Flamengo em um final de temporada, algo notável se considerarmos o número de jogos a que um time brasileiro é submetido, especialmente aqueles que têm de levar competições simultaneamente.

Bastou para estar na final, cumprindo com os prognósticos.

No sábado, porém, os prognósticos serão favoráveis ao adversário (de novo, considerando que seja o Liverpool). É possível que o Flamengo faça sua melhor atuação do ano e ainda não baste, o que seria normal dadas as realidades tão distintas.

Mas o que foi apresentado hoje indiscutivelmente não bastará.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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