Renúncia coletiva já

Cruzeiro

Juarez Rodrigues EM

Ainda no calor da decepção pelo fracasso da temporada, Zezé Perrella e Adilson Batista foram para a entrevista coletiva. É bem verdade que os dois não queriam estar ali e foram para tentar explicar o inexplicável, mas, ao final da coletiva, a impressão é de que os dois estavam um tanto quanto desconectados da realidade.

O clube precisa novamente se organizar. E, é bem verdade que o que interessa ao grande público é o campo, a organização administrativa precisa passar por sensíveis modificações. Um segredinho é: quem ama o Cruzeiro não precisa se servir dele e está disposto a abrir mão de qualquer cargo para o bem do clube.

A oportunidade de ter um Cruzeiro totalmente transparente é agora. Sem compromissos com ninguém e com vontade de fazer justiça, de dar nome aos bois.

Zezé, experiente, acenou com a possibilidade de ser o condutor de um novo Cruzeiro. Mas será que ele representa alguma novidade? E mais: o gestor do futebol chegou a dizer que a torcida deve aprovar a sequência dele. Entretanto, qual o foro para a decisão do torcedor? O clube vai fazer uma pesquisa? É pelo site oficial? Vai haver uma imensa reunião com todos os torcedores e eles farão uma votação? Ora, é preciso ser transparente e prático. O atual presidente, que quase não aparece, apesar de ter poder não tem peso em decisões? Zezé deu a cara a tapa no pior momento do clube, mas é dele que o clube precisa?

Adilson, o técnico que também teve coragem de promover mudanças, tentou mexer com o torcedor e exaltou a grandeza do clube. No entanto, não me pareceu adequado, naquele momento, falar de títulos e de uma conquista mundial. É de reconstrução que o Cruzeiro precisa. É de, repito, total transparência. É de saber quanto o clube deve e a quem. É do detalhamento de onde estava indo o dinheiro do clube. Sem meandros, sem pudor, sem velhas artimanhas.

A hora é triste, mas mais triste ainda é não aproveitar o momento de ser verdadeiramente parceiro do torcedor.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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