Superclubes largariam tudo por uma liga fechada?

NY Times

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A conversa sobre a formação de uma superliga dos principais clubes da Europa não é exatamente nova. A ideia de que mais jogos entre as potências do futebol mundial geram mais e mais receitas existem há décadas – e foi o que levou à reforma da Champions League até chegar ao formato que temos hoje.

A ameaça de ruptura é frequentemente usada pelos clubes para obter mais vantagens no modelo de disputa e na distribuição de receitas do torneio da Uefa. Na última alteração significativa, metade das vagas diretas (16 das 32) foi garantida aos representantes da quatro principais ligas do continente.

A Fifa também quer sua parte do bolo. O atual modelo de Mundial de Clubes fracassou como negócio – ninguém tem muito interesse em ver o campeão europeu atropelar equipes menos conhecidas de outros continentes sem fazer muito esforço.

Por isso veio a ideia de uma mudança radical no conceito do torneio, que a partir de 2021 será disputado a cada quatro anos, com 24 equipes, sendo oito da Europa. A entidade queria 12, mas aceitou diminuir para acabar com os entraves políticos.

A pergunta que um dirigente poderia se fazer: “por que encher os cofres de Uefa e Fifa se poderíamos fazer isso sozinhos?”

Foi o que se perguntou Florentino Pérez, presidente do Real Madrid. Esta semana, os jornais Financial Times e New York Times fizeram matérias sobre como o cartola espanhol conversou com investidores sobre a possibilidade de formar uma liga fechada com 40 das equipes mais poderosas do mundo.

A liga teria duas divisões de 20 times, com acesso e descenso apenas entre elas. Ninguém entra, ninguém sai.

Para isso, os clubes teriam de aceitar uma cisão completa com suas ligas nacionais – o que implicaria também em não se classificarem mais para a Champions League. Eles se bastariam sozinhos, e com potencial de até dobrar seus atuais faturamentos.

Não por acaso, o presidente da Uefa, Aleksandar Ceferin, tratou o plano como “loucura”.

Já houve uma recente tentativa dos grandes clubes de reformar a Champions e transformá-la numa competição com poucos acessos via campeonatos nacionais. Três quartos dos participantes viriam da classificação do próprio torneio continental na temporada anterior.

Obviamente, houve grande oposição de federações menores e das principais ligas nacionais, onde a disputa pelas vagas é crucial para a competitividade. E a Uefa teve de devolver a discussão para a estaca zero, diante da falta de apoio maciço.

Mas acabar por completo com a discussão da superliga é quase impossível, porque estamos sempre falando em ganância, no desejo de faturar cada vez mais, sem importar o tamanho do abismo que isso criará para o resto do mundo do futebol.

O ponto crucial para o plano de Florentino é a posição da Fifa. Afinal, uma liga que fosse considerada “pirata” causaria impactos significativos, como por exemplo a proibição de jogadores filiados a estes clubes disputarem a Copa do Mundo.

O presidente do Real Madrid sabe disso, e está mais próximo que nunca de Gianni Infantino, presidente da Fifa. Foi iniciativa de Pérez a formação de uma associação mundial de clubes, com representação de todos os continentes, inicialmente para discutir questões ligadas ao novo Mundial.

O delicado equilíbrio entre o poder do dinheiro e a política deve fazer com que a “loucura” de Florentino Pérez fique apenas no papel por mais algum tempo.

Mas alguém tem coragem de cravar que nunca acontecerá?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.