O perigo do gasto irresponsável para caçar o Flamengo

Grêmio / Twitter

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Nas últimas semanas, Renato Portaluppi tem feito questão de ressaltar o poderio financeiro do Flamengo, campeão da Libertadores (eliminando de forma acachapante seu Grêmio) e do Brasileiro com recorde de pontos. Na noite de quinta-feira, após a vitória sobre o Cruzeiro, ele voltou a tocar no assunto.

“O Flamengo, pelo dinheiro que tem, pelo investimento que terá ainda mais, tem um grupo muito forte e pode ter certeza que vai reforçar ainda mais. Aí vai depender dos outros clubes. Se não tomarmos cuidado, eles vão tomar conta de todas as competições, pelo investimento, pelo dinheiro, pela busca dos melhores”, afirmou Renato.

Ninguém vai brigar com a realidade e negar que uma condição melhor de investimento no elenco e em estrutura é boa parte do caminho para o sucesso – embora não seja tudo. Se fosse tudo, clubes como o Manchester United estariam em situação competitiva muito melhor hoje.

Evidentemente, ter cofres recheados ajuda. Mas o caminho para crescer e fazer investimentos sustentáveis raramente é respeitado.

O contexto dos clubes como entidades políticas faz com que personagens comprometam a saúde financeira a longo prazo, tentando cortar caminho e alcançar grandes conquistas com gastos que claramente não são sustentáveis.

Orçamentos anuais colocam previsões de fases alcançadas nos torneios, algo absolutamente impossível de prever. E os conselhos, muitas vezes omissos, deixam passar, aprovam balanços que qualquer empresa séria questionaria, ignoram visões de especialistas.

Em Minas, vimos Cruzeiro e Atlético alcançarem a terra prometida em meio a um ambiente de pouca transparência e muita “criatividade” para justificar determinados gastos.

A Raposa virou caso de polícia e pode pagar até com a Série B. O Galo promete uma “austeridade” que os números não comprovam. Vende promessa para pagar salários.

O ambiente do futebol brasileiro leva a crer que sempre haverá um dirigente prometendo encurtar distâncias de forma milagrosa, mas sem apresentar planos estratégicos de médio e longo prazo – afinal, por que plantar para o próximo cartola colher?

O Grêmio, de quem Renato cobra mais investimento, é um exemplo virtuoso de crescimento sustentável. O mesmo vale para o Athletico-PR. Que não tem a capacidade de investimento de um Flamengo, ou mesmo de um Grêmio, mas ganhou a Copa do Brasil eliminando os dois.

Muitas vezes o gasto inteligente supera o gasto exagerado.

O presidente do seu clube sabe disso?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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