Allegri dispara: Klopp “moderno”, Guardiola “exceção” e irritação com Sacchi

Reprodução Twitter

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Ex-técnico da Juventus, Massimiliano Allegri está em ano sabático e promete voltar ao trabalho apenas na próxima temporada. Em entrevista ao jornal Corriere della Sera, falou sobre a vida fora dos campos e fez comentários sobre como tem enxergado o futebol e o trabalho de técnicos do presente e do passado.

“Há duas coisas acima das outras: a primeira é que os jogadores africanos estão deslocando o jogo para o lado físico. A qualidade continua fundamental, mas a base do futebol está mudando. A segunda é que estou revendo um grande retorno do contra-ataque”, argumentou.

Para Allegri, seguir as ideias de Pep Guardiola e seu Barcelona foi um equívoco dos últimos anos. Ele considera que aquele tipo de jogo só era possível por causa das características dos jogadores.

“Guardiola contava apenas a sua exceção, não era um futebol para todos”, disse. “O Barcelona histórico nasce com três grandes jogadores que pressionam alto e empurram a defesa adversária para a própria área. À sua vez, os meio-campistas sobem e se infiltram, e sua defesa pode jogar no meio do campo. Mas você precisa ter Iniesta, Xavi e Messi. Nós tomamos como lição um argumento que dizia respeito apenas a ele”.

Sobre Jürgen Klopp e seu Liverpool, o treinador italiano fez elogios: “A base é a do verdadeiro futebol moderno, ter três atacantes que pressionam continuamente a defesa, a mantenham dentro da área. Se você tem Mané, Salah e Firmino, necessariamente tem de buscar as linhas verticais. Klopp entendeu isso, e que os atacantes têm de ser protegidos em seu trabalho. No Dortmund ele levava muito mais gols, me lembro. Mas ele também faz um jogo vertical, arranca continuamente, procura espaço não de lado, mas às costas do adversário”.

“Não entendo por que tenhamos de nos envergonhar por nós termos inventado este modo de jogar. Uma coisa é se defender para buscar um empate, quando o empate valia metade de uma vitória. Outra é guiar o ataque a partir da defesa, buscar o espaço de modo diverso. Não é economizar, é outro modo de investir”, justificou.

Allegri ainda manifestou incômodo com Arrigo Sacchi, considerado um dos maiores técnicos da história, por considerar que o comandante do Milan bicampeão europeu em 1989 e 1990 é um defensor da posse de bola, mas usava o contra-ataque em seu tempo.

“Quando ouço Sacchi falar em manter a bola e ter comportamentos propositivos, não entendo o que ele diz e me irrito. Por que não deve ser propositivo jogar de forma vertical, e deve ser dar vinte passes de um metro? Vi vinte vezes os jogos de Sacchi, me lembro aquela em San Siro quando seu Milan fez cinco gols no Real Madrid. Jogava direto. Enquanto o Real tocava a bola com calma. Era um Milan vertical, exatamente de contra-ataque, o que não é fácil fazer, mas quando funciona é um grande espetáculo”, defendeu.

Cinco vezes campeão italiano com a Juventus, Allegri ainda fez comentários críticos sobre a introdução da tecnologia no jogo, destacando que a capacidade de observação do técnico ainda é o mais importante: “O problema é o resultado, ou seja, a realidade. Você tem ou não? Em casa nem tenho um computador, uso o iPhone como um telefone e basta. Mas se eu assisto futebol, sei o que vejo. E me nascem mil ideias. Ainda somos mais fortes que a tecnologia”.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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