Mano tinha razão: a exigência aumentou. Que bom!

Ivan Storti / Santos FC

Ivan Storti / Santos FC

“Para a exigência que se tinha no futebol brasileiro, o Palmeiras estava muito bem preparado. Isso proporcionou ao clube ganhar dois dos últimos três Brasileiros. Agora, o parâmetro mudou. O Flamengo estabeleceu para nós todos um novo parâmetro, subiu a exigência”.

O raciocínio foi feito por Mano Menezes três dias antes de perder categoricamente para o Flamengo e ser demitido do Palmeiras, duas rodadas antes de terminar o Campeonato Brasileiro.

O Fla de Jorge Jesus, que não se sacia nem quando já tem o troféu na mão, desafiou conceitos quase dogmáticos do futebol brasileiro, como aquele que dizia ser necessário “escolher” uma competição apenas para se dedicar.

Ou aquele conceito de que é preciso tomar uma decisão entre jogar bom futebol ou vencer, como se fosse possível acreditar que o mau jogo te aproxime mais das vitórias.

Talvez porque a falta de concorrentes de altíssimo nível tenha feito com que fossem considerados ótimos aqueles desempenhos que hoje, com boa vontade, são vistos como razoáveis.

Não seria justo atribuir apenas ao português esta mudança de paradigma. Jorge Sampaoli está perto de levar o Santos ao segundo lugar com a melhor campanha do clube nos pontos corridos, à frente do Palmeiras.

O argentino desafia, assim, a ideia de que apenas orçamentos opulentos podem permitir um jogo que encante.

O Peixe deve terminar com uma pontuação que lhe garantiria título em algumas outras temporadas. Só não será porque o sarrafo subiu.

Se profissionais como Jesus e Sampaoli continuarem a agraciar nosso campeonato, a perspectiva é de que a barra continue lá em cima. E os outros terão de lidar com uma exigência que a mediocridade anterior não lhes fazia.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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