Brasileirão precisa regulamentar transferências de técnicos

Francisco Cedrim/RCortez/CSA

Francisco Cedrim/RCortez/CSA

A ciranda que ganhou o apelido de “Black Friday” dos técnicos na madrugada de sexta-feira foi um puro suco de futebol brasileiro. O Ceará tirando Argel Fucks do CSA após a vitória do time alagoano sobre o Cruzeiro, que por sua vez troca Abel Braga por Adílson Batista, que na quarta à noite era demitido do Ceará. Ficou tonto?

Há muito o que discutir sobre questões éticas na decisão de Argel, mas seria muito mais simples que tal movimento simplesmente fosse proibido.

Os clubes já chegaram a votar contra a possibilidade de limitar os times a apenas uma troca de técnico durante o campeonato, mas há um mecanismo adotado em outras ligas, como a italiana, que seria muito mais eficaz.

Bastaria impedir que um técnico dirigisse duas equipes diferentes no mesmo campeonato. E se não houvesse acordo para uma rescisão, o clube deveria pagar os salários integralmente até o fim da campanha.

Assim, os times que decidissem mexer no comando só poderiam buscar técnicos que não tivessem dirigido uma rodada sequer no mesmo campeonato.

O Brasileirão já tem sua lógica esportiva bastante comprometida pela permissão aos mandos itinerantes, que rompem com a lógica de que todos tenham as mesmas condições nos dezenove jogos fora e nos dezenove em casa.

As soluções não são difíceis. Basta querer. Mas será que os clubes querem?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Julho Oliveira

Concordo com o texto, é preciso regulamentação quanto a isso, caso a CBF não queira adotar o método italiano com a desculpa de que se é “radical”, Então que se tenha algum mecanismo, como há o exemplo dos jogadores, que não podem jogar mais de 7 jogos em um time e se transferir para outro. Ou que se limite apenas para uma troca de técnico que já passou por outro time do campeonato. Enfim, há várias opções, mas é preciso adotar uma que coíba essa sandice do futebol BR

Andre Luis

Cara vira e mexe a gente escuta falar dessa ideia de limitar contratação de treinador. Eu não sei quem inventou isso, mas é ridícula essa ideia… O clube é uma instituição privada e tem que ter autonomia pra tomar a decisão administrativa que quiser. Ainda mais que o futebol brasileiro hoje está carente de treinadores… Onde iriam arrumar tantos treinadores? E se arrumassem, o clube ia ficar limitado a escolha de treinadores medíocres que não treinaram nenhuma equipe? Ridículo! Pensa bem na sua empresa eu te limitar de contratar gestor ou funcionários, na sua casa te obrigar a contratar o pedreiro X ou a empresa de TV a cabo Y… Isso é ridículo, ideia inviável e que já deveria ter sido esquecida.

Afonso Lemos

Verdade, o comedor de franga voltou. É pena pra tudo quanto é lado.

Gino Bronchi

Texto muito lúcido para um futebol onde a esbórnia é a tônica. Essas transferências de treinadores são o suprassumo da falta de ética. Treinadores que se submetem a isso são medíocres e só mesmo uma total falta de pudor de dirigentes e treineiros de quinta categoria explica . Argel se arvora em Salvador do Ceará quando na verdade foi o incompetente que levou o Avaí ao desastre. Não tão grande por óbvio quando o horroroso Adílson, um zagueiro razoável e um treinador medíocre e colecionador de fracassos que engrossou seu Curriculo com o cartel no rebaixado Cruzeiro. Três Jogos e três derrotas. E só para cabotinos e cínicos como Zezé Arruela ele não tem culpa. É o mesmo Prof Pardal que em 2009 perdeu uma final de Libertadores para o modesto Estudiantes de la Plata. E ainda se propõe a ficar em 2020. Que renunciem todos os dirigentes, conselheiros e essa demagogia esfarrada de dirigentes de quinta categoria que se enriqueceram nas costas do clube.