Sobre Maradonas, Pochettinos e Mourinhos

Reprodução Twitter

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Sempre que um clube ou seleção anuncia um novo caminho com um nome de treinador diferente fico me perguntando o que teria pensado a direção daquele clube ou confederação.

É bem verdade que muitas vezes – talvez por minha mente não ser tão brilhante assim – não vejo a menor conexão nos nomes apresentados e outras vezes vejo claramente o que as direções pretendiam ao romper com um e buscar outro.

É possível entender o que o Gimnasia y Esgrima queria com Maradona. O time ia muito mal em campo e o astral caminhava de mãos dadas. Maradona, ídolo de todo um povo, resgataria prestígio e até mesmo a ambição. Conviver com ele seria um estímulo natural e o ambiente mudaria completamente. Fazia sentido. Fez algum sentido.

Assim como dá para entender que seria interessante tirar Pochettino do Southampton e apostar em uma reconstrução no Tottenham com o argentino. Ele, desde o início, dava todos os sinais de que poderia mudar o cenário cabisbaixo do time do norte de Londres e foi exatamente o que fez. Os Spurs, que raramente conquistavam vaga para a Liga dos Campeões, passaram a disputar a maior competição de clubes da Europa com frequência. Foram quatro temporadas na elite do futebol mundial em cinco anos de Pochettino e uma presença na grande final. Só que a ele não foi dada a chance de errar e os resultados negativos em sequência custaram o cargo.

A nova aposta é em José Mourinho. O que ele tem que Pochettino não tinha? Títulos, experiência na hora de levantar taça, mentalidade vencedora. Só o que não se sabe é se o português, acostumado com o status de Special One, vai conseguir fazer devolver o Tottenham ao lugar que o argentino chegou a atingir. A posição na tabela de classificação da Premier League está longe de ser das melhores, são 20 pontos atrás do líder e apenas oito acima da zona de rebaixamento.

Não existe projeto perfeito, treinador perfeito e nem mesmo certezas no mundo do futebol. O que é possível afirmar é que quanto menos baseada em achismo ou em emoção for a escolha do perfil do treinador são maiores as chances de errar menos.

É muito difícil acreditar que Maradona vá ter como principal caraterística o estudo e a dedicação aos meandros táticos. É bastante complicado imaginar que José Mourinho vá descer do pedestal para dar as mãos os jogadores emocionalmente abalados com os resultados e com a saída de Pochettino.

É exatamente para errar menos que as direções de clubes e seleções devem ter departamentos especializados muito competentes. Uma escolha baseada na emoção pode custar muito caro no futebol dinâmico e competitivo de hoje.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.