Era melhor no meu tempo. Não importa quando

CBF

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“Não temos mais os melhores jogadores do mundo”.

“Esses caras de hoje são mercenários que só pensam em ganhar dinheiro na Europa!”

“Bom era no meu tempo, jogava-se pela Seleção com amor à camisa e patriotismo…”

“Saudades de quando a camisa 10 era usada por craques de verdade”.

Pode escolher a época.

Você vai ouvir estas frases sempre que a Seleção Brasileira estiver mal.

Ouve hoje como se ouvia nos anos 90. Nos anos 70. Nos anos 50.

Você escolhe.

A história se repete com o endeusamento de um passado no qual se endeusava um passado ainda mais remoto.

A Seleção tem problemas coletivos reais que precisam ser corrigidos até o começo das eliminatórias, em março.

Você pode achar que dá para corrigir com Tite. Pode achar que precisa mudar o comando. É compreensível pelo momento atual.

Mas não dá para acreditar seriamente que o Brasil não tenha material humano para ser sempre uma das seleções mais fortes do mundo.

Outros países implorariam para ter a vastidão de recursos técnicos que o Brasil produz a cada ano.

Somos um país de 200 milhões de habitantes, com uma população apaixonada pelo jogo.

Houve gerações mais geniais que outras? Certamente.

Mas uma equipe de futebol se produz colocando as individualidades a serviço do jogo coletivo.

O melhor futebol que o Brasil jogou nos últimos anos foi com Renato Augusto e Paulinho como meias.

Certamente nenhum deles é considerado pelos mais saudosistas como “digno da imensa tradição da amarelinha”.

Ou alguém morria de amores pelo meio-campo de 1994, quando o bom Mazinho entrou para equilibrar o time e mandou o 10 Raí para o banco?

Hoje parece difícil que Tite recupere o prestígio de quando seu nome era até citado em pesquisas presidenciais.

Lembra dessa época?

Foi outro dia.

Ah, no meu tempo…

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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