A volta de São Victor do Horto – por Mário Marra

Reprodução Twitter Atlético

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Quatro meses sem acompanhar a equipe, quatro meses de tratamento, dores e dúvidas. Victor já não é mais um menino. Ele chegou ao Atlético já com 29 anos para viver o momento de maior glória de sua carreira e lá se vão sete anos.

Para uma multidão já não bastava ser o goleiro da defesa mais espetacular e salvadora. De dono da camisa 1 para ídolo, de ídolo para a santificação.

Não foram poucas as crianças que nasceram com o nome do santo atleticano. A devoção foi novamente constatada quando o goleiro sofreu o golpe do falecimento de seu pai. Faixas no Independência, verdadeiro minuto de silêncio, choro e apoio. Victor soube reconhecer e experimentou o consolo de uma torcida apaixonada.

E os longos anos de bons serviços prestados, quase sempre acompanhados de alguns milagres, foram cedendo espaço para as dúvidas. O tempo passava, o time já não competia como antes, a bola chegava com perigo mais vezes, algumas falhas aumentaram a dúvida. Angústia. É preciso refletir que as dores também devem ter limitado os movimentos. O ídolo chegou a ouvir xingamentos. Deixou de ser santo?

Victor, assim que levantou a taça da Copa do Brasil, já na sua terceira temporada pelo Galo, poderia ter decidido buscar outros ares, fazer um bom contrato e sair como ídolo, santo e com imagem imaculada. Outros fizeram assim. Marcelo Grohe, que um dia foi reserva do goleiro atleticano, saiu do Grêmio e garantiu sua imortalidade sem arranhões na imagem com o seu torcedor. Entretanto, o goleiro atleticano ficou e acabou exposto.

Hoje, após um bom tempo de departamento médico, o santo atleticano deve novamente ser uma atração. Não faz muito sentido, depois de quatro meses de inatividade, que ele seja titular, mas vê-lo à disposição no banco de reservas já é uma satisfação. O que é o esporte sem figuras marcantes, sem referências e reverências? Hoje, possivelmente no banco atleticano, estará o maior goleiro da história do Galo. Se ele entrar e se vier a falhar, ainda assim estará ali alguém que muito honrou, agradou e transformou a vida de seus devotos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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