Fifa e clubes: política, cavada e interesses – por Leonardo Bertozzi

Fifa

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Se suas ações são para o bem do futebol é algo bastante discutível. Mas que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, tem habilidades políticas é inegável.

A entidade levou muito tempo para tentar aproveitar as enormes receitas que os clubes são capazes de gerar – e a revolução no Mundial de Clubes mostra que não estão dispostos a perder nem mais um minuto.

O Mundial em seu formato que se encerra em 2020 não pode ser considerado um sucesso. Jogos pouco atrativos, resultados previsíveis e um certo desinteresse até dos clubes europeus que quase sempre o conquistam. O que leva a resultados financeiros abaixo das expectativas.

Nesta sexta-feira, representantes de oito clubes das seis confederações que formam a Fifa (Boca Juniors, River Plate, Real Madrid, Milan, América do México, Auckland City, Guangzhou Evergrande e TP Mazembe) se reuniram com Infantino para sacramentar a criação de uma Associação Mundial de Clubes.

À frente desta iniciativa está Florentino Pérez, presidente do Real Madrid. É possível dizer que nenhum outro presidente de clube seja hoje tão próximo de Infantino. Ele foi peça fundamental para romper a resistência europeia quanto ao novo Mundial – houve inclusive ameaças de boicote.

Florentino não precisa se preocupar com a presença de seu clube no Mundial de 2021, que se jogará na China, pois a Uefa pretende mandar todos os vencedores da Champions League e da Liga Europa entre 2018 e 2021.

Houve quem aproveitasse a reunião, porém, para tentar ganhar um lugar na caneta. Caso do Boca Juniors, apresentado por seu presidente Daniel Angelici.

O cartola argentino defendeu que estejam no torneio “os 24 times mais representativos do mundo, mesmo que não ganhem a Champions ou a Libertadores”.

Quem não se garante em campo, tenta fazê-lo na política.

E para fazer política, como já dissemos, Infantino é muito bom.

Como político que se preze, faz promessas sem dizer como as viabilizará.

“Minha visão é de que no futuro 40 ou 50 clubes de diferentes partes do mundo tenham a legítima ambição de ganhar o Mundial da Fifa”, disse o suíço em comunicado oficial. “Isso significa que suas competições nacionais ou regionais terão se desenvolvido a este nível, e que milhões de fãs estarão ainda mais engajados no apoio a seus times favoritos”.

Mas Infantino também é astuto o suficiente para saber que um torneio que nasce sem critérios técnicos já nasce com a credibilidade comprometida.

Quem levará a queda de braço?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.