Torcida única é derrota sem volta. Vamos aceitar calados? – por Leonardo Bertozzi

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O que é o futebol sem duas torcidas? O que é o futebol sem poder olhar para o outro lado e ver seu adversário? Sofrer um gol e ouvir apenas o som do silêncio? Gritar “olé” apenas para você mesmo ouvir?

A torcida única não acaba com o problema – ela apenas tenta evitá-lo. Apenas tenta afastar a violência dos estádios e empurrá-la para as ruas mais distantes.

Aliás, afasta mesmo? Quantos relatos de brigas entre torcidas de um mesmo clube tivemos recentemente? Alguém acredita que a maioria dos episódios de violência ligados ao futebol acontece nos estádios?

Quantas respostas já tivemos sobre os fatos do último domingo no Mineirão?

Sim, houve a identificação dos responsáveis por atos de racismo, que têm de ser punidos no rigor da lei.

Mas o que sabemos sobre os brigões? Quantos foram detidos, questionados, quantos estarão nos próximos jogos normalmente?

Quem permite que uma garrafa de vidro vá parar na mão de um torcedor e vire uma arma potencialmente letal?

É difícil responder a essas perguntas?

Não parece.

Responsáveis da Polícia Militar já disseram que o atual cenário, de uma torcida em clara minoria, é o mais difícil de lidar.

E os mesmos já admitiram que o antigo formato dos clássicos, com torcidas meio a meio, facilitava a logística da segurança.

Por que, antes de assumir a derrota e partir para a torcida única, não tentamos fazer como antigamente?

No final do ano passado parecia haver um consenso sobre isso entre Cruzeiro e Atlético.

Mas como quase sempre acontece entre eles, a ideia foi abandonada por motivos banais, como o banco de reservas a ocupar.

Não se iludam: eles sabem que clássico de torcida única permite vender ingressos para todos os lugares do estádio. Não precisa isolar lugares, dá para faturar mais.

Por trás de uma suposta preocupação com a segurança do torcedor, também há uma razão econômica.

Não acredite quando te disserem que a torcida única é uma solução temporária.

Em São Paulo, já assumiram para sempre a derrota.

Em Minas, querem ir pelo mesmo caminho.

O tapete já está levantado e a vassoura a postos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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