Falar x Fazer – por Mário Marra

Reprodução Twitter

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Cada vez mais é comum ver nos estádios de futebol, nos sites dos clubes e nas bocas quem fala por eles que o clube tal é o do povo ou que o outro é uma nação e por aí vai. Talvez tamanha mania de grandeza seja bom para o torcedor ter maior sensação de pertencimento, talvez até traga algum ganho institucional. Entretanto, confrontados com as atitudes, com a prática, o que se vê é que os slogans não passam de palavras vazias.

É preciso destacar que alguns clubes tentam uma aproximação. É bonito ver que o Fortaleza busca baratear sua camisa e torná-la mais acessível. É lindo ver como o Bahia foi um clube que desceu do pedestal e tem tentado falar a língua de seu torcedor.

O Santos brilhou em seus perfis nas redes sociais e pediu para racistas, preconceituosos ou xenófobos parassem de ir ao estádio e até mesmo de torcer pelo clube praiano.

Outra atitude grande fez o Liverpool, que recusou o hotel indicado pela FIFA para o Mundial de Clubes no Qatar. Seria muito simples aceitar a sugestão e apenas cumprir uma formalidade, mas o clube investigou que o estabelecimento carrega acusações de violações de direitos trabalhistas e o clube não queria ver o seu nome e a sua história ligadas ao local.

O campeão europeu, preocupado com o seu público, também buscou garantias para sua torcida LGBT. Sim, o Liverpool não tem medo de não ser visto como um clube machão. Pelo contrário, faz questão de não ser assim, faz questão de ser acolhedor.

Peter Moore, diretor executivo do atual líder do Inglês, deixou claro, em recente entrevista, que entende que o clube deve cumprir as leis do país, mas entende que, como entidade, precisa tentar proteger seus torcedores.

Será que nossos clubes têm a mesma preocupação? Será que nossos clubes são mesmo representantes do povo? Será que nossos clubes comprariam brigas pelas suas torcidas LGBTs ou preferem esconder e até mesmo afastar seus torcedores? É muito fácil ser do povo se o povo for como a direção quer.

As brigas no clássico já fizeram os dirigentes de Cruzeiro e Atlético optarem pelo mais fácil e menos trabalhoso: torcida única. Será mesmo que não é possível aproximar e não afastar?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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