Três polêmicas sobre a Supercopa espanhola na Arábia Saudita

RFEF

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A decisão da federação espanhola (RFEF) de realizar a reformulada Supercopa na Arábia Saudita gerou muitas polêmicas nesta segunda-feira.

O troféu, que normalmente era disputado no início da temporada em jogos de ida e volta entre o campeão espanhol e o campeão (ou o vice) da Copa do Rei, passa a contar com a participação de quatro equipes e se jogará durante o inverno no hemisfério norte.

Estima-se que o contrato com os sauditas valerá à RFEF entre 35 e 40 milhões de euros por edição.

Veja algumas das controvérsias:

Formato e datas de disputa

Tradicionalmente as supercopas nacionais são eventos entre os campeões da temporada anterior. No entanto, a possibilidade de ter Barcelona e Real Madrid disputando o troféu praticamente todo ano fez com que a federação decidisse pelo aumento de vagas, completando com os melhores colocados da última liga.

Todas as partidas serão no estádio King Abdullah Sports City, em Jeddah. As semifinais terão Valencia x Real Madrid, dia 8 de janeiro, e Barcelona x Atlético de Madrid, dia 9. Os vencedores fazem a final no dia 12.

A federação alega que as novas datas são melhores que as antigas, em agosto, pois não prejudicarão os planos de pré-temporada das equipes.

Divisão do dinheiro

A parte da receita que cabe aos clubes será feita em uma parte igual para todos, uma de acordo com a classificação final, e outra por um coeficiente histórico de conquistas – o que beneficia Barcelona e Real Madrid.

Ao Valencia, mesmo sendo o campeão da última Copa do Rei, caberia pouco mais de um terço da parte fixa que será paga aos dois gigantes do país. A informação é do diário Marca.

Arábia Saudita

A Itália já havia sido alvo de críticas por levar sua Supercopa para a Arábia Saudita, e agora é a vez da Espanha. Não apenas por levar os jogos para longe das torcidas espanholas, mas principalmente pelo retrospecto de violações aos direitos humanos no país.

Em outubro de 2018, o jornalista saudita Jamal Khashoggi foi morto dentro do consulado do país em Istambul.

Nos últimos anos, numa tentativa de melhorar sua imagem internacional, o príncipe Mohammad bin Salman retirou algumas segregações por gênero, como as proibições às mulheres de dirigir ou ir ao estádio. No entanto, várias restrições permanecem e ativistas feministas foram detidas nos últimos anos.

O presidente da RFEF, Luis Rubiales, disse poder garantir que não haverá impedimento às mulheres nas partidas da Supercopa, nem mesmo com zonas isoladas dos homens.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.