O pior futebol do Brasil – por Mário Marra

Bruno Cantini / Atlético

Bruno Cantini / Atlético

Assim que Diego Pombo determinou o fim do jogo com a vitória da Chapecoense, vários torcedores do Atlético correram para a calculadora. A busca por mais uns pontinhos deve ter tirado o sono de uma turma e vai continuar presente, como uma dor de cabeça chata, na vida de quem viu o que o time fez em campo e analisou os próximos adversários até o fim do campeonato. Vai ser sofrido.

O sofrimento vai ser bem diferente daquele que o mesmo torcedor teve a oportunidade de sentir e nem tem tanto tempo assim. O medo de o pênalti entrar, de Pierre tomar amarelo, de Ronaldinho não se recuperar para o próximo jogo. E as épicas viradas, os vários filhos batizados com nome de Victor, o orgulho de ver depoimentos tão honestos de amor do Galo. Tudo que vários torcedores viram e que já procuram se agarrar com medo do que o momento tem mostrado.

E o campo foi mais um retrato triste de um time que não consegue se completar em qualquer etapa do jogo. Não marca bem, não ataca bem, não consegue elaborar algo que surpreenda o oponente e mostra uma indesculpável vulnerabilidade quando é o adversário o dono da bola. E olha que a Chapecoense não via a cor de uma vitória desde agosto, quando bateu o Avaí – time que também contou com o Galo para anotar uma de suas três vitórias na competição.

Além de buscar calculadores, simuladores, calendários e afins, o atleticano sentiu que o flerte com a zona de rebaixamento é real. Sim, existe ainda uma distância, mas o desempenho do time é sofrível e passível de entender que o futebol praticado é de time que fica na parte baixa da tabela.

Rasgando um português bem claro: o Atlético pratica hoje o pior futebol da Série A. Até mesmo os catarinenses, há muito mergulhados na lama do rebaixamento, jogam mais e já entenderam que é preciso não errar e sempre competir. O Galo, caro leitor, não compete. Ou, se compete, o faz sem de forma errada. Como as coisas mudaram! O time que decretava a morte dos adversários apenas por eles estarem no Horto conseguiu o feito de proporcionar a primeira vitória ao time treinado por Marquinhos Santos.

Os jogadores correm. E muito. Não é de esforço que estou falando. É nítido que eles tentam, mas foram muito mal conduzidos como grupo de trabalho, como equipe de futebol e até mesmo como funcionários do Clube.

Sou capaz de garantir que não existe um único atleta ali interessado em ver o time perder, mas eles não sabem o que fazer para ganhar e não foram bem treinados para serem decisivos agora, que é a hora mais brava do ano.

Os jogadores do Atlético podem impedir que o time caia? Certamente, mas o ano já está perdido e o trabalho já está dando claros sinais de que precisa ser bastante modificado para a próxima temporada.

É inevitável o questionamento se quem está lá dentro tem competência para continuar tocando o barco. Olhando para o que o Clube não conseguiu fazer e para o que o time também não faz, tenho lá as minhas muitas dúvidas.

E, de novo o torcedor, que chegou a experimentar o sabor das conquistas incríveis, vai acabar tendo que carregar o peso da história e da camisa para carregar o Atlético a um lugar menos constrangedor no final do ano.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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